5 anos sem Alexander McQueen

5 anos sem Alexander McQueen

Rate this post

Iconoclasta, inquietante, mas, acima de tudo, inesquecível. Assim, lembre-se a moda de Alexander McQueen, o último gênio que perdeu a moda. Hoje se celebra o primeiro de cinco anos de sua morte e lhe rende homenagem, lembrando seus melhores momentos.

Retrato de Alexander McQueen, em 2007.

Foto: Victoria & Albert Museum.


Há cinco anos a moda se paralisa diante da notícia da morte de Alexander McQueen. Encontrado morto, em casa do West End de Londres, com sintomas de suicídio, os tablóides apontaram as causas da recente morte de duas mulheres de sua vida: sua mãe e Isabela Blow, editora de moda íntima e de Lee, como conhecia o designer em seus círculos íntimos. Precisamente ela tinha inventado como o novo enfant terrible da moda. Em uma entrevista com a TELVA em 2004, McQueen disse: “No momento em que eu me cansar de toda essa parafernália direi adeus”. O que nunca saberemos como teria suportado as atuais e asfixiantes exigências da indústria (coleção cápsula, colaborações, edições especiais…), a emergência do street style ou o fenômeno blogger. E assim o fez, foi embora.


Filho de um motorista de táxi, começou a trabalhar aos 16 anos, na Gieves & Hawkes, casa mítica de Savile Row, a rua dos alfaiates da capital britânica. Depois desenhou o guarda-roupa de teatro, o que marcaria o drama de sua forma (ou será que já vinha de fábrica essa carga de romantismo?), até que, finalmente, ingressou na Central Saint Martins de Londres, o centro de estudos de moda mais prestigiadas do mundo. Lá conheceu sua mentora, Louise Wilson, uma mulher também afetada e taciturna, mas contém um à prova de fogo dom para detectar os talentos que morreu no ano passado.


Em 1996, Alexander McQueen, foi contratado pela Givenchy, o que deu visibilidade ao mundo, mas a escuridão a sua: as pressões do grupo ao qual pertencia, a LVMH, coartaban sua criatividade. Nunca gostou do marketing ou vendas, basta criar e sonhar. Assim o reconhecia Lúcia Francesch, vice-diretora de TELVA, na entrevista que lhe fez em 2004. “O vestido é o que deve falar por si mesmo. Com um padrão impecável, tecido e corte perfeitos que seduza o cliente para que ele o leve”, disse.

Desfile da coleção Outono Inverno 2009.

Foto: Pascal Le Segretain.


Quando deixou Givenchy e concentrou-se na sua marca, ele viu a luz. “Preciso me envolver de uma maneira visceral em tudo que faço, e a única maneira de fazer isso é criando o que me dá vontade, refletir meu dia-a-dia, a beleza e o horror do mundo. Vale tudo quando me toca a fibra, por isso minhas coleções são tão autobiográficas”, contava a TELVA. Uma biografia, pois, carregada de anjos e demônios, seres de outro planeta, a meio caminho entre o céu e a terra ou o passado, o presente e o futuro. Em seus desfiles combinou tecnologia e design com sua inerente alma gótica assumindo toda uma revolução.


Alice Chapa, diretora de moda da TELVA, conta: “recordo-Lhe por todos e cada um de seus desfiles que eu tive a sorte de ver, eram uma maravilha, como uma ópera, um sonho. Mas, em especial, aquele do holograma de Kate Moss: a sua entrada em cena, a música, o ambiente, a atmosfera que se respirava… Inesquecível. Foi como uma aparição, algo nunca visto que ainda hoje desperta todos os sentidos. “Quando inauguraram a exposição ao MET fui vê-la em Nova York. Me impressionou como haviam reproduzido a holografia, dentro de um cubo preto. Eles olharam para uma espreitadela para o interior do cubo e você podia ver a imagem em movimento de Kate Moss”, relata Maite Sebastiá, redatora-chefe de moda. Esta exposição Savage Beauty, chegará ao Victoria & Albert Museum de Londres, nesta primavera, especificamente, de 14 de março a 19 de julho.

Alexander McQueen e Sarah Jessica Parker na gala do MET de 2006.

Foto: Gtres Online.


E quando a moda virou de costas para Kate Moss, por seus vícios, McQueen saiu a cumprimentar após o seu desfile Primavera/Verão 2006 com uma camiseta em que se lia : “We love you Kate. Os espíritos atormentados davam a mão. Outras de suas grandes amigas e defensores era Sarah Jessica Parker. Como lembra Elena López, redatora de moda de TELVA, “foi maravilhosa a participação na gala do MET, de 2006, de Alexander McQueen, Sarah Jessica Parker, ambos vestidos com o xadrez tradicional british, pois o tema desse ano era Anglomania”. Também lembre-se o furor que causou seus lenços de caveiras, emblema e bestseller, hoje convertidos em um objeto de culto. Em 2010, apresentava sobre a passarela que seria a sua última contribuição para a moda: os tatus. As modelos avançavam sobre alguns sapatos côncavas quais alienígenas. No Youtube ainda há tutoriais para obter uma versão DIY e a sua morte, ilustradores do mundo usaram essa criação como um símbolo de homenagem.


Há alguns dias foi anunciado o lançamento para o final deste mês de uma nova biografia, Alexander McQueen: Blood Beneath the Skin. Esta veio acondicionada de polêmica por incluir uma passagem de sua vida em que confessava a sua colega Sebastian Pons, designer de origem espanhol, que planejava cometer o suicídio sobre a passarela. Não era a primeira vez que Lê coqueteaba com a morte: sempre tinha um lado negro, próximo a macabro, reflexo de uma aguda vulnerabilidade. Este é o nosso especial de homenagem a Lee Alexander McQueen, o último grande gênio perdido da moda.

Imagem de seu desfile de Primavera Verão 2010 com seus icônicos tatus.

Foto: Victoria & Albert Museum.